The Bounds of Judgment – From Frege to cognitive agents and human thinkers (2011-2013)

This project is about what it is to be a thinker, centering on the notion of judgment. Judgment is a posture towards the world, held rightly or wrongly (in one sense) solely in virtue of the world being as it is. A judgment fixes how the world would matter to its correctness; the world then does its mattering. This is a rough account, which needs careful elaboration. But it is enough to point to some bounds within which some people have thought judgment must remain. In some cases, one might question whether judgment is so constrained, or whether the bounds are genuinely bounds at all. These questions have shaped a very great part of modern philosophy. In this project we intend to consider them according to four guiding ideas, taking Frege’s conception of judgment (Urteil) as the starting point:

1. Emptiness of demands on the world. A posture may fail to be judging by failing to ask the world to matter in any substantive way. Wittgenstein once, or sometimes, had such an idea. One might suspect such failures in laws of logic, some of mathematics, paradoxes and definitions. If, e.g., a law of logic would be true no matter what, as Frege thought, just how can the world speak to its correctness?

2. Objects not sufficiently woven into the fabric of the world. A posture might fail to be judging because it is (ineliminably) towards something unfit to be an object of judgment. That is the case of what Frege termed ‘Vorstellungen’ (contents of consciousness). Which raises a set of issues in philosophy of mind, and elsewhere. a) What sort of posture can we take to our own inner experience? Can it ever be an object of judgment? If not, when we have inner experience what might this consist in? b) What forms might special access to one’s own mental life take? When, if ever, is special access ‘privileged’? Both a) and b) are deeply involved in the issue how intentionality could be the mark of the mental, hence, what it might be.

3. Usurpation. a) Expressivism: From Hume on many philosophers have thought they detected, in various areas of discourse, putative judgements which were imposters. The trouble was that something—usually some sensibility parochial to us—seemed to usurp the world’s sole sway over the correctness of the posture. That sort of worry has arisen for ethics, aesthetics, causation, and a host of other things. b) Alien thought: The worry under a) can also be put this way: if, say, ethics were really a domain of judgment, then seeing what was thus judged to be a fact or not would have to rely on some parochial capacity: one available, perhaps, to thinkers like us; but not available to just any thinker, merely in virtue of being a thinker. So, to see how bad that is (Frege apparently took it to be bad enough), one might ask whether there could be judgments available to one sort of thinker but not another, whether, if so, such differences are necessarily confined to certain areas of judgment, and how alien judgments might be different from ours; conversely, how judgment could be possible at all without benefit of parochial capacities.

4. Articulation and Agency. A judgment is a (partial) articulation of a thinker’s posture towards the world. In turn, it is what is articulable into elements—given concepts, applied to given (ranges of) objects. a) On the first of these points, it is interesting to ask just how essentially tied up with agency a posture towards the world must be to be articulable into judgments. It is sometimes said that to be a thinker is, essentially, to be an agent. It is seldom said what it means to say this, or why one should. Frege provides the basis for saying more. Here a leading question is: to what extent, if any, is a judgment obligated (if it is to be a judgment) to make the world matter to it in a way that the world might matter to our conduct of our lives. Which is a way of asking: Is there any truth at all behind the attraction some feel in some form of verificationism? b) The second question centres on the issue, raised by Frege, of whether, and in what sense, a judgment might have essential structure. How does a judgment differ, notably, from a vehicle for its expression in the way it is (or is not) tied to particular articulations of it? This issue is interesting, for one thing, because of its bearing on issues in philosophy of psychology. But it is also of interest because we are unlikely to be able to so much as formulate coherently issues under 3 above without answering these questions.

These issues span a very wide swathe of philosophy, from philosophy of logics to moral philosophy. The main aim of this project is to focus on relations between them, trying to understand how the fate of judgment with respect to one of these problems bears on its fate with respect to others.

Principal Investigator: Sofia Miguens

Consultants: Tim Crane, Quassim Cassam, Jocelyn Benoist, Charles Travis

 

Os Limites do Juízo – De Frege a agentes cognitivos e pensadores (2011-2013)

Este projecto visa compreender o que é ser um pensador, centrando-se na noção de juízo. Um juízo é uma postura perante o mundo, mantida correcta ou incorrectamente (num certo sentido) unicamente em virtude de o mundo ser como é. Um juízo fixa a forma como o mundo importaria para a sua correcção e depois o mundo faz o seu papel. Este é um primeiro esboço, que caberá elaborar, mas que é suficiente para identificar alguns limites dentro dos quais várias pessoas pensaram que juízos genuínos deveriam permanecer. Em alguns casos poder-se-ia questionar se de facto os juízos estão assim constrangidos, ou se os limites são deveras limites. Estas questões moldaram uma grande parte da filosofia moderna e contemporânea. Neste projecto serão tratadas a partir da concepção fregeana de juízo (Urteil) de acordo com as seguintes quatro directrizes:

1. Vazio do que é requerido ao mundo. Uma postura pode não chegar a ser um juízo por não requerer ao mundo que seja de determinada maneira. Wittgenstein pensou, a certa altura, assim. Pode-se supeitar de tal situação quanto a leis da lógica, alguma matemática, paradoxos e definições. Se, como Frege, por exemplo, pensou, uma lei lógica é verdadeira não importa o que seja o caso no mundo, o que significa falar da sua correcção?

2. Objectos insuficientemente inseridos no tecido do mundo. Uma postura pode não chegar a ser um juízo por ser dirigida a alguma coisa que não é própria para ser objecto de juízo. Seria esse o caso daquilo a que Frege chamou ´Vorstellungen´ (conteúdos de consciência). Isto levanta questões na filosofia da mente e áreas contíguas: a) Que tipo de postura podemos nós assumir em relação à nossa experiência interior? Poderá ela alguma vez ser objecto de juízos? b) Que formas pode assumir o acesso especial à nossa própria vida mental? Quando é que (se é que alguma vez) esse acesso especial é privilegiado? Quer a) quer b) estão profundamente envolvidas nas questões da intencionalidade como marca do mental, e sua natureza.

3. Usurpação. a) Expressivismo: Desde D. Hume muitos filósofos pensaram ter detectado em várias áreas de discurso juízos putativos que afinal revelaram ser impostores. O problema é que alguma coisa—normalmente alguma sensibilidade paroquial nossa —parece aí usurpar o peso exclusivo do mundo sobre a correcção da postura. Assim, pensaram tais filósofos, não há maneira de o mundo ter peso exclusivo sobre posturas semelhantes. Esta preocupação ergueu-se acerca de ética, estética, causação, e vários outros tópicos. b). Pensamento estranho: a procupação expressa em a) pode também ser assim formulada: se por exemplo a ética fosse um domínio de juízos, então o que é ajuízado ser ou não ser um facto no mundo teria que apoiar-se sobre alguma capacidade paroquial, disponível talvez para pensadores como nós, mas não para qualquer pensador, meramente em virtude de ser um pensador. Poder-se-ia então questionar se existiriam juízos disponíveis a um certo tipo de pensador mas não a outro tipo, se, assim, sendo, tais diferenças se confinariam a certas areas do juízo, e ainda como juízos estranhos (alien) poderiam ser diferentes dos nossos juízos. Conversamente, perguntar-se-ia como seria o juízo de todo possivel sem envolvimento de capacidades paroquiais.

4. Articulação e Agência. Um juízo é uma articulação (parcial) da postura de um pensador quanto ao mundo. Por sua vez, é algo que é articulável em elementos: dados conceitos, um juízo é aplicado a objectos. a) Quanto ao primeiro ponto, é interessante perguntar exactamente quão essencialmente ligada com a agência deve uma postura perante o mundo ser de forma a que seja articulável em juízos. Diz-se por vezes que ser um pensador é essencialmente ser um agente. Raramente se diz o que significa isto, ou por que se diria tal. Frege dá-nos a base para dizer mais. Uma questão directora aqui é: até que ponto, se é que de todo, é um juízo obrigado (se vai ser um juízo) a fazer o mundo importar quanto a como conduzir as nossas vidas. O que não é mais do que uma forma de perguntar: haverá alguma verdade por trás da atracção que muitos sentem pelo verificacionismo? b) A segunda questão centra-se no problema levantado por Frege acerca de se, e em que sentido, uma juízo tem que ter uma estrutura essencial. Especificamente, como é que um juízo difere de um veículo que o exprime, de forma que está (ou não está) ligado a particulares articulações deste? Esta questão é interessante, antes de mais, por causa do seu peso em questões de filosofia da psicologia. Mas também porque é improvável que consigamos formular coerentemente as questões do ponto 3 acima sem lhes responder.

Estas questões cobrem áreas vastas da filosofia, da filosofia da lógica à filosofia moral. O principal objectivo deste projecto é focar as relações entre elas, usando como fio condutor a concepção de juízo

Investigadora responsável: Sofia Miguens

Consultores: Tim Crane, Quassim Cassam, Jocelyn Benoist, Charles Travis